Conectar-se com desconhecidos pode ser desafiador. Mas respeito e atenção fazem a diferença.
Sentir-se sozinho virou uma experiência comum entre os brasileiros adultos. Uma pesquisa da Meta e da Gallup mostrou que, no Brasil, 38% dos entrevistados se sentem pouco conectados e 5% nada conectados. O dado é preocupante porque a qualidade das nossas relações afeta diretamente a saúde: a solidão crônica está associada a depressão, ansiedade e até doenças cardiovasculares.
Fazer amigos na vida adulta exige mais esforço do que na infância, mas é possível — e pode ser uma das melhores decisões que você toma pela sua saúde. Veja aqui seis curiosidades apontadas por especialistas sobre criar conexões nessa fase da vida.
Ter uma rede de afeto que ofereça apoio e sensação de pertencimento é fundamental para a saúde. “Amigos compartilham sentimentos e ideias e ampliam nossa visão de mundo sobre as questões que vivemos”, diz Natalia Orti, psicoterapeuta na The School of Life. Amizades também nos permitem relaxar de pressões sociais. Segundo a especialista, o isolamento social prolongado pode oferecer mais risco à saúde do que fatores como o sedentarismo e o tabagismo.
“O primeiro passo é estar aberto a conhecer pessoas”, diz a psicóloga e terapeuta integrativa Bianca Panvequi. Busque visitar lugares com circulação de gente. O dia a dia está repleto de oportunidades de se aproximar de desconhecidos: no supermercado ou nos lugares onde você estuda, trabalha ou pratica exercícios. Um oi, um comentário sobre o dia, uma pergunta ou um simples sorriso são caminhos para abrir as portas no primeiro contato.
Encontrou uma pessoa que tem a ver com você? Pergunte o nome dela e a chame pelo nome sempre que puder. “Devemos atentar para a mágica que existe num nome e compreender que esse singular elemento pertence exclusivamente à pessoa com quem estamos lidando… e a ninguém mais”, escreveu Dale Carnegie no livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas. “O nome destaca a singularidade do indivíduo, tornando-o único entre a multidão”, completa.
Demonstre interesse pela outra pessoa, sua história e atividades, recomenda a psicóloga cognitivo comportamental Lidiane Pontes. Em resumo: seja um bom ouvinte. Busque não interromper a pessoa e não se preocupe tanto em fazer paralelos com a sua história ou em arranjar soluções para os problemas apresentados – a menos que ela te peça. O importante é estar presente e atento. Essa atenção é fundamental para criar conexão e confiança.
Não se esqueça também de falar sobre você. Compartilhar as novidades com um amigo sinaliza que você o considera importante, diz a psicóloga Bianca Panvequi. Além de contar sobre suas angústias e fracassos, divida alegrias e sucessos. Afinal, a felicidade tem tanto poder de nos conectar quanto a dor. Convites para ocasiões especiais – de um passeio a uma festa – são bem vindos para estreitar ainda mais os laços e desenvolver a intimidade.
O amigo nem sempre poderá estar presente, então é necessário entender o espaço e o tempo dele, recomenda Lidiane. Outra forma de levar o tempo do seu companheiro em conta é ser pontual quando marcarem um compromisso. É importante também evitar criticá-lo em público. A crítica, quando necessária, deve ser feita de forma particular e se referir aos comportamentos específicos que te incomodam, e não à pessoa em si, aconselha a especialista.
Essa reportagem foi publicada originalmente no livro “Aprendi com minha mãe”, da Coleção Sorria. Ilustração: Raul Aguiar.