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Vida social

O que ninguém te contou sobre fazer amigos depois de adulto

Conectar-se com desconhecidos pode ser desafiador. Mas respeito e atenção fazem a diferença.

Publicado em 23 de fevereiro de 2026

Por Carina Bacelar

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Ilustraçãpo mostra adultos ineragindo em atividades diversas, com balões de fala, diante de fundo amarelo.

Sentir-se sozinho virou uma experiência comum entre os brasileiros adultos. Uma pesquisa da Meta e da Gallup mostrou que, no Brasil, 38% dos entrevistados se sentem pouco conectados e 5% nada conectados. O dado é preocupante porque a qualidade das nossas relações afeta diretamente a saúde: a solidão crônica está associada a depressão, ansiedade e até doenças cardiovasculares.

Fazer amigos na vida adulta exige mais esforço do que na infância, mas é possível — e pode ser uma das melhores decisões que você toma pela sua saúde. Veja aqui seis curiosidades apontadas por especialistas sobre criar conexões nessa fase da vida.

Fundamental é mesmo o amigo

Ter uma rede de afeto que ofereça apoio e sensação de pertencimento é fundamental para a saúde. “Amigos compartilham sentimentos e ideias e ampliam nossa visão de mundo sobre as questões que vivemos”, diz Natalia Orti, psicoterapeuta na The School of Life. Amizades também nos permitem relaxar de pressões sociais. Segundo a especialista, o isolamento social prolongado pode oferecer mais risco à saúde do que fatores como o sedentarismo e o tabagismo.

Por onde começar

“O primeiro passo é estar aberto a conhecer pessoas”, diz a psicóloga e terapeuta integrativa Bianca Panvequi. Busque visitar lugares com circulação de gente. O dia a dia está repleto de oportunidades de se aproximar de desconhecidos: no supermercado ou nos lugares onde você estuda, trabalha ou pratica exercícios. Um oi, um comentário sobre o dia, uma pergunta ou um simples sorriso são caminhos para abrir as portas no primeiro contato.

Simples como um nome

Encontrou uma pessoa que tem a ver com você? Pergunte o nome dela e a chame pelo nome sempre que puder. “Devemos atentar para a mágica que existe num nome e compreender que esse singular elemento pertence exclusivamente à pessoa com quem estamos lidando… e a ninguém mais”, escreveu Dale Carnegie no livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas. “O nome destaca a singularidade do indivíduo, tornando-o único entre a multidão”, completa.

Fala que eu te escuto

Demonstre interesse pela outra pessoa, sua história e atividades, recomenda a psicóloga cognitivo comportamental Lidiane Pontes. Em resumo: seja um bom ouvinte. Busque não interromper a pessoa e não se preocupe tanto em fazer paralelos com a sua história ou em arranjar soluções para os problemas apresentados – a menos que ela te peça. O importante é estar presente e atento. Essa atenção é fundamental para criar conexão e confiança.

Abra o seu coração

Não se esqueça também de falar sobre você. Compartilhar as novidades com um amigo sinaliza que você o considera importante, diz a psicóloga Bianca Panvequi. Além de contar sobre suas angústias e fracassos, divida alegrias e sucessos. Afinal, a felicidade tem tanto poder de nos conectar quanto a dor. Convites para ocasiões especiais – de um passeio a uma festa – são bem vindos para estreitar ainda mais os laços e desenvolver a intimidade.

Respeito acima de tudo

O amigo nem sempre poderá estar presente, então é necessário entender o espaço e o tempo dele, recomenda Lidiane. Outra forma de levar o tempo do seu companheiro em conta é ser pontual quando marcarem um compromisso. É importante também evitar criticá-lo em público. A crítica, quando necessária, deve ser feita de forma particular e se referir aos comportamentos específicos que te incomodam, e não à pessoa em si, aconselha a especialista.

Essa reportagem foi publicada originalmente no livro “Aprendi com minha mãe”, da Coleção Sorria. Ilustração: Raul Aguiar.

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