Nem toda vontade de comer é fome. Veja como adotar atitudes simples para comer de um jeito que faz bem
Quem nunca terminou um dia puxado e sentiu uma vontade enorme de comer um doce, mesmo sem estar com fome? A fome emocional acontece com todo mundo e não deve ser enfrentada com julgamento ou restrições alimentares. A chave está em acolher o que você sente e investigar o motivo daquele desejo.
Uma das maiores conquistas da nutrição comportamental é justamente ensinar a separar a necessidade biológica genuína dos impulsos que nascem de desconfortos emocionais. Veja como isso funciona.
A principal diferença entre os dois tipos de fome está na origem do sinal que o corpo manda. A fome física nasce de uma necessidade do organismo por energia e nutrientes. Ela é gradual, paciente e previsível. Já a fome emocional surge como uma tentativa da mente de aliviar sentimentos difíceis, como ansiedade, estresse, cansaço, solidão, tédio ou tristeza.
Fome física (biológica):
Fome emocional (apetite comportamental):
Quando a gente percebe que comeu por emoção, a reação mais comum é se punir e prometer uma dieta mais rígida. Só que, sob a ótica do Mindful Eating (“comer com atenção plena”), essa é justamente a receita para alimentar o ciclo da culpa. A proposta é outra, acolher o que você está sentindo com curiosidade e gentileza.
A nutricionista Sophie Deram e a psicóloga Cíntia Seabra, em entrevista para o livro Muito Mais Que Emagrecer, da Coleção Sorria, reforçam que a comida não deve ser vista como inimiga nem como punição. Usar a comida como fonte de conforto em alguns momentos é humano e perfeitamente normal. O objetivo é trocar o ciclo de restrição e culpa por autoconhecimento e respeito aos sinais do próprio corpo.
1. Faça uma pausa e respire. Ao sentir uma vontade súbita de comer, respire fundo duas vezes antes de ir até o armário e pergunte a si mesma: “Meu estômago está realmente vazio ou estou tentando aliviar a ansiedade ou o cansaço?”
2. Coma sem distrações. Fazer as refeições longe do celular e da TV ajuda o cérebro a registrar os sabores e os sinais de saciedade.
3. Procure conforto fora do prato. Se a fome for emocional, vale tentar outras formas de acolhimento, como uma caminhada rápida ao ar livre, uma conversa com alguém de confiança ou uma pausa para descansar.
4. Pratique a autocompaixão. Nem toda vontade de comer precisa ser analisada com rigor. Tratar a si mesma com carinho já ajuda a quebrar o ciclo.
5. Volte à comida de verdade. Uma vez que você entende a origem da fome, uma estratégia para acalmar a mente e nutrir o corpo é a simplicidade da comida caseira, feita com afeto.
Conteúdo publicado originalmente no livro “Muito Mais Que Emagrecer”. O lucro de todos os livros da Coleção Sorria gera doações para ONGs que atuam pela causa da saúde em todo o Brasil.