Alimentação

A comparação nas redes sociais pode causar transtornos alimentares?

Psicóloga explica como padrões e rotinas 'perfeitas' nas redes afetam a saúde mental e a relação com a comida

Publicado em 13 de agosto de 2026

Por Redação Sorria

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Arte mostra um prato azul com um molhinho em formato de carinha triste, sobre um fundo cor de laranja.
Já se sentiu pior que alguém depois de passar um tempo nas redes sociais? Isso pode afetar sua alimentação

Você já se sentiu pior que alguém depois de passar um tempo nas redes sociais? Hoje, em poucos minutos de navegação, é possível encontrar vídeos de treinos intensos, dietas restritivas, rotinas de alimentação e corpos considerados perfeitos. Embora esse conteúdo seja frequentemente apresentado com uma roupagem inofensiva e motivacional, a exposição constante a esses padrões pode transformar a comparação em um hábito e trazer consequências para a saúde mental e para a relação com a alimentação. Entenda aqui como isso acontece:

Mudança no perfil das ‘celebridades’

Até pouco tempo atrás, os ícones de beleza eram figuras distantes: artistas, modelos e celebridades. Hoje, esse papel foi assumido por pessoas comuns e anônimas nas redes sociais. 

Esse movimento piora a comparação ao criar uma ilusão de proximidade ao mesmo tempo que o conteúdo se torna cada vez mais artificial porque é produzido, editado e pensado para ser publicado como um recorte do que queremos que seja visto, explica a psicóloga Brenda Alves, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). 

“O capitalismo também tem um papel nisso, ao transformar tudo em moeda. Ou seja, tudo precisa ser vendido, até os padrões de beleza e as rotinas perfeitas, o que aumenta a necessidade de publicar apenas aquilo que for perfeito e bem produzido”, completa a especialista.

Essa comparação frequente acaba afetando a autoestima, gerando um sentimento de inadequação e um controle excessivo sobre o próprio corpo: dietas restritivas, exercícios em casa, preocupação constante com o peso e a sensação de que é preciso mudar a vida inteira para ontem.

Segundo Brenda, pessoas mais vulneráveis, do ponto de vista biológico, psicológico ou até financeiro, podem sofrer com o desenvolvimento ou o agravamento de diversos transtornos, como os alimentares.

Como nutrir uma relação mais saudável com as redes

Apesar desse cenário, existem caminhos para um consumo mais consciente das redes sociais.

  1. Observe o próprio estado emocional: O primeiro passo é reparar em como você se sente depois de consumir determinado conteúdo, e ser honesto consigo sobre o que aquilo despertou: aquele vídeo ou foto deixou você inspirada, ou trouxe uma sensação de vergonha e inadequação? Reconhecer essas reações é o ponto de partida para mudar a relação com o que se consome.
  2. Faça uma curadoria pessoal: Brenda recomenda deixar de seguir perfis que não fazem bem, mesmo que já tenham feito em algum momento. Nem tudo o que trouxe satisfação um dia continuará trazendo para sempre. Também vale lembrar que as redes sempre mostram um recorte editado da realidade: os melhores ângulos, momentos e conquistas. Comparar a vida real com uma vitrine seletiva nunca será uma disputa justa.
  3. Busque apoio profissional: Ajuda especializada pode ser fundamental para lidar com a avalanche de estímulos das redes sociais e para aprender a reconhecer e processar as próprias emoções diante desse conteúdo.

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