Descubra de onde vem os sonhos, com se relacionam com a memória e outros fatos curiosos sobre sonhos
O motivo da existência dos sonhos ainda é um mistério. As pesquisas sobre esse tema são relativamente recentes e têm menos de 100 anos. Ainda assim, muitos estudos indicam que a experiência de sonhar está ligada à memória. Na maioria das vezes, os sonhos surgem durante o sono REM, fase importante para a consolidação das recordações. Para alguns especialistas, o sonho funciona como uma representação da realidade formada por fragmentos daquilo que lembramos.
Além disso, durante o sono REM, enquanto algumas áreas do cérebro reduzem suas atividades, o sistema límbico — responsável pelas emoções — permanece bastante ativo. Esse é um forte indício de que os sonhos estão diretamente ligados aos sentimentos. Alguns estudos mostram, inclusive, que eles desempenham um papel importante na regulação das emoções e do humor. Ou seja, sonhar pode ser essencial para a saúde mental e o bem-estar.
Normalmente, vivemos o sonho como se fosse uma situação real. Porém, apesar de raros, existem os chamados sonhos lúcidos, em que a pessoa tem consciência de que está sonhando – e, em alguns casos, pode até controlar o que está acontecendo, como mudar o seu enredo ou acordar a si mesma.
O neurocientista Sérgio Arthuro, do Instituto do Cérebro da UFRN, investigou esse tema em uma pesquisa. Ele aplicou um questionário a 3.427 voluntários. Como resultado, 77% dos entrevistados relataram ter tido ao menos um sonho lúcido na vida, sendo que quase 30% foram capazes de controlá-los.
O sonho é uma ferramenta de autoconhecimento. Para a psicanálise, os sonhos podem revelar muito sobre nossos desejos e medos. Ou seja, não há interpretações gerais para seu conteúdo. Assim, associar, por exemplo, animais a previsões, como fazem alguns sites na internet, só vale para diversão. Para entender o significado de um sonho é preciso adotar uma perspectiva individual, já que determinadas situações ou elementos podem despertar emoções, memórias e associações distintas em cada pessoa. Além disso, os sonhos não funcionam como um registro de nossas vivências, já que são compostos de representações disfarçadas e, por isso, podem parecer bizarros.
Não. Mas eles podem apontar situações possíveis de acontecer baseando-se em experiências do passado – e, assim, funcionar como um “oráculo probabilístico”, na definição do neurocientista Sidarta Ribeiro. Para os especialistas, essas projeções oníricas desempenharam um papel importante na evolução da humanidade.
Segundo eles, fragmentos de situações vividas ou relatadas por outros humanos, trazidas pelo sonho, permitiam aos nossos ancestrais treinar soluções para desafios cotidianos. Sonhar que se deparavam com um animal feroz, por exemplo, permitia a eles ensaiar, mentalmente, uma fuga. Essa capacidade nos conferiu uma vantagem competitiva e de adaptação.
Fontes: Luciana Lafraia, psicanalista e mestre em psicologia clínica; Sérgio Arthuro, médico, neurocientista e pós-doutorando do Instituto do Cérebro da UFRN; Monica Andersen, biomédica e diretora de ensino e pesquisa do Instituto do Sono, em São Paulo; e livro O Oráculo da Noite, de Sidarta Ribeiro (ed. Companhia das Letras).
Conteúdo publicado originalmente no livro “Durma Bem”, da Coleção Sorria.