Se as crianças já usam smartphones, algumas estratégias ajudam a manter o uso mais saudável.
No Brasil, 36% das crianças de 6 a 8 anos possuem um celular . A orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que, até 2 anos, não haja exposição a telas. O uso diário deve ser de no máximo 1 hora entre 2 e 5 anos e 2 horas dos 6 aos 10, sempre com supervisão e regras definidas. Se seu filho está no grupo os que já usam um celular, veja algumas orientações de especialistas sobre a relação entre a infância e as telas, e de como torná-la o mais saudável possível.
Determine quando, onde e como seu filho usará o aparelho. “O fato de a criança saber apertar um botão não significa que ela tem maturidade para os riscos do ambiente digital”, diz o psicólogo Rodrigo Nejm, do Instituto Alana.
Tanto Android quanto iPhone devem ser configurados de acordo com a faixa etária para limitar os apps disponíveis, definir tempo de uso, bloquear notificações e ativar o controle parental vinculado à conta dos responsáveis.
Cortar o uso da tela de forma brusca pode gerar efeitos graves, como crises de agressividade. “Nunca tire sem conversa. Vá, aos poucos, oferecendo outras atividades prazerosas no lugar”, diz a psicóloga Carla Moura.
Apps de controle parental ajudam a restringir o tempo e os conteúdos, mas não resolvem a questão sozinhos. “Tem que monitorar, filtrar e ajudar a criança a criar um senso crítico”, diz Carla Moura.
Evite que a criança use o celular sozinha no quarto. Se ela quiser ver um vídeo, o ideal é utilizar telas compartilhadas, como atelevisão na sala. “O celular deve ser a última opção, em condições configuradas para a idade do usuário, e sempre sob mediação dos adultos”, orienta Rodrigo Nejm.
Não há consenso, mas, em geral, recomenda se da puberdade para a frente. O psicólogo norte-americano Jonathan Haidt, autor de A Geração Ansiosa, defende que a criança ganhe o primeiro aparelho a partir dos 14 anos e só acesse as redes sociais com 16 ou mais. Para Eduardo da Silva, dos 12 anos em diante a criança pode ter um celular, mas com supervisão. De qualquer forma, a decisão deve ser dos adultos. Para Zach Rausch, pesquisador de A Geração Ansiosa, o ideal é agir em grupo: combinar com outros pais de promover encontros presenciais e de adiar dar um celular à criança.
Conteúdo originalmente publicado no livro “Menos Telas, Mais Vida”, da Coleção Sorria. Ilustração: Vitor Rocha