A neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel conta por que sentimos que nossa memória anda ruim, e como cuidar melhor dela
A neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel ganhou reconhecimento internacional ao desenvolver um método revolucionário de contagem de neurônios, que transformou a forma como compreendemos o cérebro humano. No Brasil, ela tem papel fundamental na popularização da neurociência, traduzindo conceitos complexos em explicações acessíveis e conectadas ao cotidiano das pessoas. Desde 2016, é professora na Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos. Em entrevista à Sorria, ela nos ajuda a entender a memória e como manter ela mais afiada durante toda a vida. E conta que faz crochê “para descansar o cérebro”.
Sorria: Hoje muita gente tem a impressão de que a memória está pior. Essa percepção tem fundamento?
Suzana: Isso ocorre porque as tecnologias atuais nos liberam de lembrar tudo “de cabeça”. Com buscador, agenda e mapas no celular, por que decorar tanta informação, telefones e trajetos? Como outras funções no corpo, a memória se fortalece com o uso. Se usamos menos, aprendemos e lembramos menos. A sensação de que a memória está pior é o resultado da escolha de não exigir tanto dela.
Qual é o prejuízo de passar muito tempo no celular, de olho em notificações e mensagens que chegam?
Mesmo sem interagir com postagens, anúncios e atualizações que surgem na tela o tempo todo, eles capturam nosso foco, pois o cérebro entende como prioridade pelo simples fato de serem algo diferente do que já temos. O resultado é uma atenção fragmentada e falhas na consolidação de memórias. Se usarmos o telefone só como um telefone, a atenção volta a ser melhor.
Como podemos ajudar o cérebro a lembrar em meio a tanta informação?
O cérebro tem limitações biológicas: a cada minuto, ele usa toda a energia de que dispõe para trabalhar dando seu máximo a uma tarefa de cada vez. Daí a importância de nos concentrarmos no que estamos fazendo. Memória boa não é talento ou sorte, é resultado de onde colocamos a atenção, que funciona como um filtro, selecionando o que será registrado. Se dividimos o foco, o desempenho cai.
O que você faz no dia a dia para cuidar da memória?
Gosto de fazer crochê no final do dia para descansar o cérebro. Para mim, funciona como uma terapia. Coloco uma série levinha na televisão, em uma língua que eu consiga entender facilmente, e só levanto o olhar da linha e da agulha para a tela por 5 ou 10 segundos de tempos em tempos, para me atualizar do enredo e ver algumas imagens.
PARA LER A ENTREVISTA COMPLETA, COMPRE O LIVRO “MEMÓRIA AFIADA, MENTE FOCADA”, À VENDA NAS LOJAS E SITES DE RAIA E DROGASIL.