Isadora Abrahão mostra nas redes a rotina de quem tem endometriose
“Toda mulher sente isso, é normal.” Para muitas mulheres com endometriose, essa frase vem junto com cólicas fortes e um intestino irritado. Entender o que está acontecendo com o próprio corpo leva tempo, e a incerteza a própria rotina também é comum: afinal será que dá para fazer exercício físico com endometriose, por exemplo? Os hábitos podem reduzir a dor e o desconforto?
A influenciadora fitness Isadora Abrahão, de 23 anos, decidiu transformar a própria vivência com a doença em uma conversa aberta com o público. Em seu perfil no Instagram ela fala sobre maternidade, empoderamento feminino e sobre como o exercício faz bem não só ao corpo, mas também à autoestima e à saúde mental.
Em entrevista à Sorria, Isadora conta como chegou ao diagnóstico, como foi engravidar e o que a ajuda nos dias de crise.
Fiquei um ano sentindo cólicas intensas, com o intestino super irritado e outros sintomas, até que comecei a desconfiar e procurei uma ginecologista. Eu sabia que havia algo de errado comigo. A partir daí, fizemos alguns exames e finalmente descobrimos a endometriose.
Já percebia dor durante as relações, alterações de humor e o intestino irritado.
Eu nunca minimizei porque sempre soube que havia algo de errado, que não era normal sentir isso. No entanto, as pessoas ao meu redor tentavam sim minimizar o que eu sentia dizendo que “é só cólica, toda mulher sente isso.”
Antes de encontrar o tratamento ideal para mim, eu me sentia mal porque a endometriose causava inchaço, indisposição e dores, e isso afetava minha autoestima na hora de me expor na internet. Eu recebia dúvidas como “está grávida?” por conta do inchaço e me sentia péssima porque também não sabia se um dia conseguiria engravidar. Por um lado, foi bom eu ter o diagnóstico porque comecei a abordar esses assuntos nas minhas redes e ajudar mulheres que têm a doença ou que estão com os sintomas.
Vejo a atividade física como um remédio. Quem tem endometriose não tem para onde fugir. Na medida do possível, mesmo com as dores, precisamos encontrar uma atividade que seja praticável para trazer alívio nos sintomas.
Alguns médicos pelos quais passei me assustaram. Disseram que eu não conseguiria engravidar, que precisaria de fertilização. Mas minha endometriose estava sendo tratada, e foi então que eu engravidei. Fiquei preocupada porque não sabia se o diagnóstico resultaria em uma gravidez de risco, mas minha médica me tranquilizou e acabou sendo uma gestação super saudável.
São três: terapia, academia e fisioterapia pélvica. Indico terapia para todas as pessoas que têm endometriose porque ela afeta a saúde mental. A musculação ajuda no controle dos sintomas e na qualidade de vida. A fisioterapia pélvica fortalece o assoalho pélvico, então ajuda a minimizar as dores durante a relação. Ou seja, é um tratamento multifatorial.
Se você se identificou com algum desses sinais descritos ao longo deste texto, procure uma avaliação médica profissional. Diagnosticar a endometriose é o primeiro passo para encontrar o tratamento mais adequado e fazer ajustes na rotina.
Esta é a quarta de uma série de matérias onde conversamos com especialistas sobre a endometriose. Até aqui, você já acompanhou o bate-papo com uma ginecologista, uma psicóloga e uma nutricionista, e todas elas estão disponíveis aqui no site da Sorria.