Saúde

Dá para fazer exercício com endometriose? Influenciadora mostra rotina com a doença

Isadora Abrahão mostra nas redes a rotina de quem tem endometriose

Publicado em 21 de outubro de 2026

Por Rafaella Fonseca

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Foto no formato selfie de Isadora, mulher branca, com cabelos pretos e olhos claros. Ao fundo, o que parece ser um consultório médico.

“Toda mulher sente isso, é normal.” Para muitas mulheres com endometriose, essa frase vem junto com cólicas fortes e um intestino irritado. Entender o que está acontecendo com o próprio corpo leva tempo, e a incerteza a própria rotina também é comum: afinal será que dá para fazer exercício físico com endometriose, por exemplo? Os hábitos podem reduzir a dor e o desconforto?

A influenciadora fitness Isadora Abrahão, de 23 anos, decidiu transformar a própria vivência com a doença em uma conversa aberta com o público. Em seu perfil no Instagram ela fala sobre maternidade, empoderamento feminino e sobre como o exercício faz bem não só ao corpo, mas também à autoestima e à saúde mental.

Em entrevista à Sorria, Isadora conta como chegou ao diagnóstico, como foi engravidar e o que a ajuda nos dias de crise.

Como foi o processo até você chegar ao diagnóstico de endometriose?

Fiquei um ano sentindo cólicas intensas, com o intestino super irritado e outros sintomas, até que comecei a desconfiar e procurei uma ginecologista. Eu sabia que havia algo de errado comigo. A partir daí, fizemos alguns exames e finalmente descobrimos a endometriose.

Quais sintomas você apresentava, mas que na época não associava à doença?

Já percebia dor durante as relações, alterações de humor e o intestino irritado.

Teve algum momento em que alguém minimizou o que você sentia? Como foi lidar com isso?

Eu nunca minimizei porque sempre soube que havia algo de errado, que não era normal sentir isso. No entanto, as pessoas ao meu redor tentavam sim minimizar o que eu sentia dizendo que “é só cólica, toda mulher sente isso.”

Como a endometriose afetou sua relação com o próprio corpo?

Antes de encontrar o tratamento ideal para mim, eu me sentia mal porque a endometriose causava inchaço, indisposição e dores, e isso afetava minha autoestima na hora de me expor na internet. Eu recebia dúvidas como “está grávida?” por conta do inchaço e me sentia péssima porque também não sabia se um dia conseguiria engravidar. Por um lado, foi bom eu ter o diagnóstico porque comecei a abordar esses assuntos nas minhas redes e ajudar mulheres que têm a doença ou que estão com os sintomas. 

O que você diria para quem tem medo que o exercício piore a dor, mas quer se movimentar?

Vejo a atividade física como um remédio. Quem tem endometriose não tem para onde fugir. Na medida do possível, mesmo com as dores, precisamos encontrar uma atividade que seja praticável para trazer alívio nos sintomas.

Como foi engravidar tendo endometriose? Isso trouxe alguma preocupação a mais?

Alguns médicos pelos quais passei me assustaram. Disseram que eu não conseguiria engravidar, que precisaria de fertilização. Mas minha endometriose estava sendo tratada, e foi então que eu engravidei. Fiquei preocupada porque não sabia se o diagnóstico resultaria em uma gravidez de risco, mas minha médica me tranquilizou e acabou sendo uma gestação super saudável.

O que ajuda você a lidar com os dias de crise, física e emocionalmente?

São três: terapia, academia e fisioterapia pélvica. Indico terapia para todas as pessoas que têm endometriose porque ela afeta a saúde mental. A musculação ajuda no controle dos sintomas e na qualidade de vida. A fisioterapia pélvica fortalece o assoalho pélvico, então ajuda a minimizar as dores durante a relação. Ou seja, é um tratamento multifatorial.

Se você se identificou com algum desses sinais descritos ao longo deste texto, procure uma avaliação médica profissional. Diagnosticar a endometriose é o primeiro passo para encontrar o tratamento mais adequado e fazer ajustes na rotina.  

Esta é a quarta de uma série de matérias onde conversamos com especialistas sobre a endometriose. Até aqui, você já acompanhou o bate-papo com uma ginecologista, uma psicóloga e uma nutricionista, e todas elas estão disponíveis aqui no site da Sorria.

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