Alimentação

Dieta para endometriose existe? Nutricionista explica

Especialista explica o que pode piorar a inflamação e como o cuidado multidisciplinar melhora a qualidade de vida

Publicado em 9 de outubro de 2026

Por Rafaella Fonseca

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Imagem mostra mãos de médica de jaleco branco com uma caneta para prescrição, ao lado de tomates e alimentos

O que vai ao prato todos os dias pode ser um aliado de quem convive com a endometriose. A dieta não cura a endometriose, mas pode ajudar a aliviar as cólicas, dar mais energia e melhorar a qualidade de vida. Para isso, ela precisa ser pensada para cada mulher e acompanhada por uma profissional, e não copiada de fórmulas prontas das redes sociais.

Em entrevista ao site de Sorria, a nutricionista e mestre em Nutrição (UFRJ) Isabel Vieira, especialista em saúde da mulher e alimentação saudável, explica o que a ciência já mostra sobre a relação entre comida e endometriose e conta por que o cuidado precisa ir além da dieta.

A dieta pode mesmo influenciar os sintomas e o tratamento da endometriose?

Sim, e bastante. Segundo a nutricionista, uma boa alimentação pode aliviar cólicas e dores, dar mais energia, melhorar a qualidade de vida e até ajudar a diminuir a progressão da doença.

Ela explica que não existe uma dieta única para a endometriose. Cada organismo reage de um jeito, e é por isso que o acompanhamento médico é tão importante. O padrão mediterrâneo costuma ser uma boa opção, mas a paciente também pode se beneficiar de uma alimentação anti-inflamatória ou de uma dieta low FODMAP (que reduz um grupo de carboidratos pouco digeríveis pelo organismo), a depender do momento, dos sintomas e do contexto de cada uma.

Quais alimentos têm relação mais consistente com o aumento da inflamação?

Os alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, farinha e aditivos químicos, estão no topo da lista dos piores. Há também algumas evidências de prejuízo com o consumo excessivo de carne vermelha, carnes processadas e cafeína.

A especialista conta ainda que agrotóxicos e pesticidas, que podem ter ação xenobiótica (ou seja, agir como substâncias estranhas ao organismo), vêm sendo estudados para entender se a composição química deles interfere na saúde e tem relação com a endometriose.

Cortar glúten e laticínios realmente ajuda ou isso é só um mito das redes sociais?

Para muitas mulheres, reduzir o glúten e os derivados do leite traz benefícios e melhora os sintomas. Isabel ressalta, porém, que isso não vale para todas e precisa ser avaliado caso a caso. Assim como a endometriose não se manifesta da mesma forma em todas as pacientes, o tratamento também não tem um caminho único nem diretrizes alimentares rígidas.

Na prática clínica, ela costuma observar melhoras importantes em cólicas, distensão abdominal, dores pélvicas e gases quando há redução de glúten e laticínios.

Algum alimento ou nutriente costuma ser evitado sem necessidade?

Para Isabel, o que mais circula nas redes sociais são as dietas low FODMAP. Ela explica que essa estratégia pode ser útil por um período curto, de 1 a 2 meses, mas não é uma solução a longo prazo.

Também existem pacientes que sofreram tanto com dores e desconfortos que acabam cortando todo tipo de alimento, sem indicação ou orientação. Isso não é interessante, porque uma dieta restritiva demais pode ser ainda mais prejudicial.

Quais mitos sobre a endometriose mais aparecem no consultório?

“Acredito que o maior mito é achar que apenas uma alteração vai resolver todos os problemas da mulher com endometriose: só o remédio, só a dieta, só um suplemento. Mas no final o cuidado é multidisciplinar e deve olhar a paciente como um todo”, afirma Isabel.

Acompanhamento médico e nutricional, fisioterapia pélvica, educação física e outras práticas integrativas têm o seu lugar e ajudam a melhorar os sintomas, principalmente quando trabalham em sinergia. Dentro das possibilidades de cada mulher, é esse cuidado integral que ajuda a restabelecer a qualidade de vida.

O que uma pessoa com endometriose pode fazer para melhorar a qualidade de vida?

Muitas coisas, desde que respeitem as preferências de cuidado dela e ajudem a aliviar os sintomas que mais atrapalham. Além do tratamento médico e hormonal convencional, Isabel cita a alimentação anti-inflamatória, a atividade física na rotina, a suplementação ajustada às deficiências e aos sintomas de cada uma, pausas para descanso e lazer e mais contato com a natureza. Qualquer suplementação deve ser conversada com a equipe de saúde.

Ela também enxerga a doença como um convite a se olhar com mais atenção. “Costumo dizer que a endometriose, apesar de toda dificuldade, é também uma oportunidade de olhar para dentro e tentarmos entender o que o corpo está nos dizendo e como precisa de cuidados”, diz.  Para Isabel, esse é um primeiro passo muito relevante.

Se você se identificou com algum desses sinais descritos ao longo deste texto, procure uma avaliação médica profissional. Diagnosticar a endometriose é o primeiro passo para entender melhor o próprio corpo e encontrar o tratamento mais adequado para a sua rotina.  

Esta é a terceira de uma série de matérias em que vamos conversar com especialistas sobre a endometriose. Nas próximas semanas, traremos aqui no site o olhar da influencer fitness Isadora Abrahao, que convive com o diagnóstico.

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