Saúde

TDAH: como diferenciar seus sintomas do esquecimento comum

Neurocientista explica particularidades desse transtorno e como tratar

Publicado em 18 de agosto de 2026

Por Rafaella Fonseca

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Esquecer onde deixou as chaves, reler o mesmo parágrafo várias vezes, sentir que a cabeça não para: pequenos lapsos como esses podem acontecer com qualquer pessoa, ainda mais hoje em dia, vivendo com tanta coisa na cabeça. Mas, com uma rápida pesquisa na internet sobre essas situações, você pode acabar concluindo equivocadamente que tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

O que é o TDAH?

Esses sintomas rotineiros até podem ser parecidos, mas isso não significa que você tenha o transtorno. Ele costuma se manifestar na infância. Aquela criança que tem dificuldade parada por muito tempo, se distrai com facilidade ou vai mal na escola pode sim ter TDAH, mas nem sempre. Por isso, o diagnóstico feito por um médico neurologista especialista é fundamental para encontrar o tratamento adequado, e quanto mais cedo, melhores tendem a ser os resultados.

Se não identificado corretamente, ele pode evoluir até a vida adulta, atrapalhando o trabalho e a gestão da rotina, além de gerar conflitos nos relacionamentos e muitas frustrações.

Sem atenção, não há memória

“Quando compreendemos que a memória é resultado do aprendizado, e que aprender exige atenção, entendemos por que pessoas com TDAH têm dificuldade para memorizar informações. Sem foco, o conteúdo não é registrado no cérebro. Assim, muitos esquecimentos associados ao transtorno não vêm de uma falha no armazenamento das lembranças, mas na etapa anterior: a da atenção.

Por isso, o diagnóstico certo é fundamental. O tratamento adequado, orientado por um especialista, deve incluir mudanças comportamentais que favoreçam a concentração”, afirma Suzana Herculano-Houzel, bióloga e neurocientista.

Como melhorar a qualidade de vida após o diagnóstico de TDAH

Uma série de medidas costumam fazer com que quem tem TDAH consiga se organizar e reduzir problemas de convivência. A aplicação de cada uma delas depende de avaliação médica individualizada. Algumas são:

  • Usar ferramentas externas de organização, como agendas, alarmes, listas e lembretes visuais, ajuda a não esquecer compromissos e tarefas importantes;
  • Estruturar rotinas previsíveis diminui as distrações e a sobrecarga cognitiva;
  • Terapias, como a cognitivo-comportamental, auxiliam no autocontrole e no manejo de distrações;
  • Encontrar atividades prazerosas, como trabalhos sensoriais manuais, ajuda a manter o foco;
  • Remédios, indicados com prescrição médica, podem melhorar a comunicação entre os circuitos neurais envolvidos na atenção.

Conteúdo publicado originalmente no livro “Memória Afiada, Mente Focada”. O lucro de todos os livros da Coleção Sorria gera doações para ONGs que atuam pela causa da saúde em todo o Brasil.

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