Dedicar tempo ao lazer por escolha própria alivia a ansiedade e funciona como um antídoto contra o consumo passivo de redes sociais
Entre as demandas do trabalho, as notificações do celular e a sensação de que todo tempo livre precisa render algo útil, parar para fazer alguma coisa só por prazer virou quase um luxo. Mas os estudos indicam que esse luxo é, na verdade, uma necessidade: escolher bons hobbies para cuidar da saúde alivia o estresse, protege a saúde mental e pode reduzir o risco de demências na maturidade.
A seguir, veja o que acontece no corpo e no cérebro de quem tem um passatempo, quais são os melhores hobbies para começar e como encaixá-los na rotina sem transformar o prazer em mais uma obrigação.
O impacto começa nas respostas químicas e hormonais do organismo. Estudos publicados pela Academia Americana de Neurologia apontam que o envolvimento frequente em atividades de lazer intelectuais e artísticas, como visitar museus, praticar artesanato, tocar instrumentos e manter o hábito da leitura, está associado a um risco menor de demências e de declínio cognitivo na maturidade.
As atividades manuais, como crochê e tricô, também estão entre os hobbies que fazem bem à saúde. Elas estimulam a liberação de neurotransmissores ligados ao equilíbrio emocional, como a serotonina e a dopamina, e ajudam a reduzir os níveis de cortisol, o principal hormônio do estresse.
Um dos maiores benefícios psicológicos de ter um hobby é a capacidade de induzir o que a psicologia chama de flow, ou fluxo, um estado de engajamento total em uma tarefa prazerosa. A atenção fica absorvida pelo momento presente, a percepção do tempo se altera e as preocupações do cotidiano perdem a relevância, ainda que temporariamente.
Nesse estado, o cérebro sai do “piloto automático” e reduz a ruminação mental, o hábito nocivo de repassar incessantemente erros do passado ou antecipar cenários futuros catastróficos.
Não existe um único hobby ideal: o melhor é aquele que dá prazer e cabe na sua rotina. Estas são algumas das opções mais indicadas, com benefícios diferentes.
Exercita a concentração e a memória e é uma das atividades intelectuais associadas a menor risco de declínio cognitivo. Bibliotecas públicas e clubes do livro tornam o hábito gratuito e social.
Os movimentos repetitivos ajudam a acalmar a mente e a reduzir o cortisol. Ao final, há uma peça pronta, o que reforça a sensação de realização.
Cultivar um vaso de girassol ou uma pequena horta na janela cria uma rotina de cuidado com resultado visível. Não exige quintal: alguns vasos já bastam.
Aprender música desafia o cérebro com novas habilidades, o que ajuda a proteger as conexões neurais. No coral, o ganho se estende aos vínculos com outras pessoas.
Preparar uma receita do zero tem começo, meio e fim e envolve os sentidos por inteiro. É um hobby que pode ser dividido com a família ou com amigos.
Exigem pouco material e favorecem o estado de flow. O objetivo é se expressar, não produzir uma obra-prima.
Unem movimento, contato com a natureza e uma pausa das telas. É uma das opções gratuitas mais fáceis de encaixar na semana.
Estão entre as atividades culturais associadas à proteção do cérebro na maturidade. Muitos museus têm dias de entrada gratuita.
O uso excessivo das redes sociais como mecanismo de fuga aumenta a ansiedade e prejudica a qualidade do descanso. Os hobbies funcionam como um contraponto a essa dinâmica porque oferecem uma experiência com começo, meio e fim. Enquanto a rolagem do feed é infinita e passiva, concluir uma página de um livro, finalizar um bordado, cultivar um vaso de girassol ou preparar uma receita do zero gera uma sensação duradoura de autonomia e realização pessoal.
Os ganhos aparecem em várias frentes:
Atividades que induzem o estado de flow, como crochê, bordado, desenho, jardinagem, leitura e música, ajudam a reduzir o estresse e a ruminação mental. O melhor é o que dá prazer e cabe na rotina.
De 10 a 15 minutos diários já trazem efeitos cumulativos. A regularidade importa mais do que a duração.
Sim. Caminhadas em parques, leitura com livros de bibliotecas públicas, escrita criativa e visitas a museus em dias de entrada gratuita são boas opções.