Com simples mudanças de hábito, você torna sua vida mais verde sem precisar sair do bairro.
Não é preciso planejar férias na Amazônia ou no Pantanal para garantir os benefícios do contato com a natureza para a sua saúde. E eles não são poucos: segundo uma pesquisa publicada no The World Journal of Biological Psychiatry, incorporar atividades ao ar livre e momentos de conexão com a natureza em nossa rotina altera até a saúde cerebral, aumentando a massa cinzenta no córtex pré-frontal, região envolvida no planejamento, na regulação das ações e no desempenho cognitivo.
Uma outra análise de pesquisadores da USP revelou que 94% dos estudos sobre a relação entre a natureza e a nossa saúde apontaram efeitos positivos desse contato, com 12 efeitos psicológicos positivos e 5 efeitos fisiológicos reportados, incluindo para a saúde cardiovascular. Só 8,95% das pesquisas relataram efeitos neutros, e nenhum efeito negativo foi observado.
Já se convenceu de que estar na natureza vai te fazer bem? Então, segue essas dicas para tornar esse contato mais presente na sua rotina.
“O contato com a natureza é fundamental para a saúde mental e física, da infância à maturidade”, diz Natalia Orti, psicoterapeuta na The School of Life. Segundo ela, esse contato tem grande chance de evocar no corpo e na mente estados de tranquilidade e posturas de contemplação, diminuindo o estresse. Um mergulho no verde convida, ainda, ao movimento e aumenta a exposição à luz solar, fatores importantes para a regulação do humor e do sono.
Não é preciso se deslocar para grandes áreas verdes para curar a carência por um contato maior com a natureza. “Quando uma pessoa está faminta, não temos que necessariamente oferecer um banquete. Um pequeno lanche já traria algum alívio”, compara a psicóloga Lidiane Pontes. Para matar a fome de verde no dia a dia corrido da cidade, você pode brincar com o pet numa praça ou se exercitar ao ar livre numa rua arborizada ou parque.
No Japão, a busca pelos benefícios de estar em contato com a natureza virou uma prática conhecida como “banho de floresta” (shinrin-yoku). “Pesquisas da Universidade de Chiba, em Tóquio, comprovaram que esse contato pode combater sintomas de ansiedade e estresse e fortalecer o sistema imunológico”, explica Lidiane. E não é preciso fazer longas trilhas: o organismo humano se beneficia com a simples inspiração de substâncias liberadas pelas árvores.
Já olhou para o céu hoje? É ali que brilham as estrelas e voam os pássaros. O som de alguns deles, aliás, oferece alívio da fadiga mental e do estresse e tem o poder de restaurar a atenção, concluiu uma pesquisa da Universidade Surrey, no Reino Unido. Observar o horizonte ao nascer e ao pôr do sol – e as cores e formas que mudam a cada instante – ajuda a se conectar consigo mesmo e a refletir sobre questões internas, observa a psicóloga Bianca Panvequi.
Para descobrir as formas de contato natural que mais combinam com você, a dica é experimentar. “É preciso se conhecer para saber o que te faz melhor: estar em contato com o mato, com a água doce ou com a água salgada”, diz Bianca. Para algumas pessoas, basta olhar o mar para se conectar. Para outras, é necessário mergulhar fundo. Em um parque, tente caminhar descalço na grama, por exemplo, e observe as sensações que essa atividade te traz.
Dá pra se cercar da natureza – e de seus benefícios – sem sair de casa. Para isso, invista em plantas que têm a ver com o seu perfil e com o da sua residência. “É possível encontrar espécies que precisam de menos água e luminosidade”, sugere Lidiane. Outra dica é usar óleos essenciais, acrescenta Bianca. Suas gotas espalham pelo ar as principais propriedades das plantas. Lavanda, hortelã e alecrim são alguns aromas recomendados pela especialista.
Essa reportagem foi publicada originalmente no livro “Aprendi com minha mãe”, da Coleção Sorria