Psicóloga explica como padrões e rotinas 'perfeitas' nas redes afetam a saúde mental e a relação com a comida
Você já se sentiu pior que alguém depois de passar um tempo nas redes sociais? Hoje, em poucos minutos de navegação, é possível encontrar vídeos de treinos intensos, dietas restritivas, rotinas de alimentação e corpos considerados perfeitos. Embora esse conteúdo seja frequentemente apresentado com uma roupagem inofensiva e motivacional, a exposição constante a esses padrões pode transformar a comparação em um hábito e trazer consequências para a saúde mental e para a relação com a alimentação. Entenda aqui como isso acontece:
Até pouco tempo atrás, os ícones de beleza eram figuras distantes: artistas, modelos e celebridades. Hoje, esse papel foi assumido por pessoas comuns e anônimas nas redes sociais.
Esse movimento piora a comparação ao criar uma ilusão de proximidade ao mesmo tempo que o conteúdo se torna cada vez mais artificial porque é produzido, editado e pensado para ser publicado como um recorte do que queremos que seja visto, explica a psicóloga Brenda Alves, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
“O capitalismo também tem um papel nisso, ao transformar tudo em moeda. Ou seja, tudo precisa ser vendido, até os padrões de beleza e as rotinas perfeitas, o que aumenta a necessidade de publicar apenas aquilo que for perfeito e bem produzido”, completa a especialista.
Essa comparação frequente acaba afetando a autoestima, gerando um sentimento de inadequação e um controle excessivo sobre o próprio corpo: dietas restritivas, exercícios em casa, preocupação constante com o peso e a sensação de que é preciso mudar a vida inteira para ontem.
Segundo Brenda, pessoas mais vulneráveis, do ponto de vista biológico, psicológico ou até financeiro, podem sofrer com o desenvolvimento ou o agravamento de diversos transtornos, como os alimentares.
Apesar desse cenário, existem caminhos para um consumo mais consciente das redes sociais.